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segunda-feira, 13 de junho de 2011

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Um pouco mais sobre fidelidade e falácias da tradução...

Sobre o tema controverso da fidelidade tão almejada (embora não completamente possível) pelo tradutor, especialmente o literário, argumentou o professor, tradutor, revisor e crítico húngaro Paulo Rónai (1976, p.86-87):

"[...] Pois a fidelidade é outra das falácias da tradução [...]

Qualquer leigo, se interrogado, deve responder-nos que o primeiro dever da tradução é ser fiel ao original.

Mas em que consiste essa fidelidade? Não se trata, é claro, de reproduzirmos a sonoridade do original, senão traduziríamos sindaco por "síndico" e não por "prefeito", hôtel de ville por "hotel de villa" e não por "prefeitura", to apologize por "apologizar" e não por "pedir desculpas". O que se nos pede é reproduzirmos fielmente o sentido. 

[...] Uma palavra tem um, dois, até dez ou mais sentidos de acordo com o resto da proposição. [...] devemos ser fiéis ao sentido da frase.

Acontece, porém, que uma frase inteira pode ter vários sentidos. [...]

O que nos faz escolher uma ou outra dessas traduções [dadas pelo autor] é o conhecimento que temos da situação graças ao trecho anterior, isto é, o parágrafo a que a frase pertence. Muitas vezes, porém, precisamos ter em mente não só o parágrafo, mas toda a página, às vezes todo um capítulo. [...]

O tradutor mais fiel, já disse, seria aquele que, graças a uma capacidade excepcional, estivesse em condições de esquecer as palavras da mensagem original e, logo depois, lembrar-se de seu conteúdo, para reformulá-la na sua própria língua, da maneira mais completa. Claro, a sua mente recortaria a mensagem em parcelas curtas para poder fixá-las, parcelas desiguais que seriam ora uma palavra só, ora uma frase, ora um parágrafo. E para a mensagem ser compreendida, ele trataria de conformá-la o mais possível aos usos, hábitos e regras de sua própria língua.

Assim, a fidelidade seria uma obrigação dupla: para com o conteúdo da mensagem e para com a praxe expressiva da língua-alvo. [...]"