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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Falácias sobre ser o "ser tradutor"

Pensa-se corriqueiramente que para alguém ser tradutor de um idioma qualquer para o português, basta ter um conhecimento avançado de uma língua estrangeira, ter vivido por algum tempo no país onde ela é falada e dominar um punhado de palavras de uma área específica em tal idioma. Certamente aquele que almeja ser um tradutor (e, mais propriamente, um bom tradutor), deve conhecer profundamente a língua estrangeira da qual traduz para o português; no entanto, a condição sine qua non que se apresenta para ele é que o conhecimento mais elevado que deve possuir é o do português. De fato, a vivência em um país estrangeiro confere um maior conhecimento tanto linguístico quanto cultural ao tradutor, mas não é de modo algum um requisito que torna este um profissional mais competente. E tampouco o domínio de termos específicos do Direito, por exemplo, pressuposto dos especialistas da área, garante que estes estejam aptos a traduzir textos com eficácia. O que, na realidade, agrega capacidade e competência a um tradutor é o uso abundante que faz de ferramentas de trabalho diversas, como glossários gerais e específicos de cada área, CAT Tools, ferramentas de busca etc., aliados à experiência que provém da prática tradutória constante. Ainda assim, por mais experiência que possua, o tradutor sempre se defrontará com termos que desconhece e com novos usos para termos que são velhos conhecidos, porque, toda e qualquer língua é um processo em plena transformação sendo, obviamente, impossível para o tradutor dar conta de todas as palavras relativas às áreas nas quais traduz. Mas essa questão da metamorfose das línguas pode ser assunto para outro post...

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